Nascida em 1560 era considerada uma das mulheres mais belas da altura.
Poderia ser, mas a sua aparência exterior não revelava muito
da sua aparência interior.
Uma visita pela sua vida...
A história da vida de Elizabeth começa na antiga fronteira
entre a Roménia e a Hungria no castelo Ecsed, onde a família
Bathory estava instalada na Transilvânia.
Em 1560, George Bathory (de descendência Ecsed) e Anna Bathory (de
descendência Somlyo) tiveram uma filha, Elizabeth, fruto de um casamento
entre duas nobres mas decadentes famílias húngaras.
A família Bathory era uma das mais ricas e poderosas famílias
protestantes em toda a Hungria.
Nela existiam dois dos mais importantes príncipes reinantes na Transilvânia,
um vasto número de heróis de guerra, oficiais da igreja na
Hungria e até mesmo um grande construtor de impérios, Stephen
Bathory, príncipe da Transilvânia e rei da Polónia.
A prática comum da procriação consanguínea
não resultou em nada positivo mas apenas para esta ilustre família.
Para além destes nobres a família Bathory era constituída
por mais pessoas de um foro não tão nobre.
Elizabeth tinha um tio que era supostamente adicto aos rituais e adoração
em honra de Satanás, uma tia, (de quem já falámos),
Klara Bathory, conhecida como lésbica e bissexual que se divertia
a torturar criados e ainda um irmão, Stephan, conhecido pela sua
fama de bêbado e libertino.
Passemos então a alguma informação sobre a condessa,
apresentando um incidente acontecido durante a sua infância e que
nos pode esclarecer acerca das suas atitudes:
Não se sabe bem quando, mas imagina-se que esta cena se passou entre
os seis e os onze anos de Elizabeth, quando um grupo de ciganos foi chamado
ao castelo de Ecsed (na altura sua casa) para divertir a corte.
Durante a estadia dos ciganos no castelo um deles foi acusado de vender
crianças aos turcos.
Foi
levado a julgamento, considerado culpado e sentenciado à morte.
Elizabeth lembrava-se do choro do cigano durante a noite, lamentando a
sua sentença e isso deve tê-la impressionado. De madrugada,
Elizabeth escapou à vigilância da sua ama e correu para fora
do castelo para ver a punição.
Aí viu um cavalo no chão, moribundo, e alguns soldados a
abrirem-lhe a barriga. Três dos soldados então agarraram no
cigano e puseram-no dentro da barriga do cavalo, deixando-o apenas com
a cabeça de fora e seguidamente coseram a barriga novamente com
uma agulha e linha.
Outro relato que se conhece, mas não se sabe se é verídico
é o seguinte:
Aos nove anos de idade, um grupo de rebeldes atacou o seu castelo. A maior
parte deste foi destruída e muitas das pessoas que lá viviam
foram torturadas, violadas e posteriormente mortas.
Elizabeth e as suas duas irmãs Anichka e Shandra foram levadas para
se esconderem na floresta pelas suas amas.
Elizabeth encontrou refúgio numa árvore, mas as suas irmãs
foram encontradas e torturadas até à morte e Elizabeth não
teve outra escolha senão ver as suas irmãs e aias a serem
violadas e mortas.
Mais tarde encontrou o caminho para casa e viu os assassinos sentados na
mesa, com o seu líder, Dozsa, sentado numa cadeira de ferro, com
fogo no fundo da mesma e ele estava a ser cozinhado. Os outros assassinos
foram obrigados a comer a carne cozinhada do seu líder. Parece que
alguns não se importaram muito, talvez porque tinham fome na altura...
Foram depois mortos.
Esta punição foi infligida neles quando foram apanhados e
o tio de Elizabeth pronunciou a sentença. O castelo foi restaurado,
mas ninguém pôde preencher o vazio causado pela perda das
irmãs e pai de Elizabeth.
Embora isto não seja uma desculpa, para o posterior comportamento
de Elizabeth, podemos perceber mais um bocado das suas atitudes anos mais
tarde.
Estes e mais alguns incidentes durante a sua infância, influenciaram
na sua ideia do que seria um comportamento correcto e conceitos de moralidade.
Um olhar sobre a mulher
Ao contrário de muitas mulheres da altura, Elizabeth foi muito bem
educada e a sua inteligência ultrapassava até mesmo a de muitos
homens da altura. Ela era excepcional, tornou-se fluente em húngaro,
latim e alemão quando a maior parte dos nobres húngaros nem
sequer sabiam escrever. Até mesmo o príncipe regente da Transilvânia
nesse tempo tinha pouca educação.
Alguns professores modernos e contemporâneos dizem que embora ela
fosse louca e capaz de fazer inúmeras atrocidades, era também
uma pessoa com pleno controlo das suas faculdades.
O seu futuro marido
Em 1555, Ferenc Nadasdy nasce no seio de uma família que por direito
de nobreza era tão prestigiosa quanto a dos Bathory, mas não
era nem tão rica nem tão antiga.
A educação de Ferenc foi meticulosamente documentada pela
sua mãe, Ursula, viúva, durante o período entre 1567
e 1569 altura em que ele andava na escola de Vienna.
Estes documentos comprovam que Ferenc não era um bom estudante.
Mal aprendeu a escrever húngaro e a escrever e ler um pouco de alemão
e latim.
Ferenc desenvolveu-se como um atleta e pouco mais.
Embora tivesse adquirido pouca educação académica
era certamente popular entre os seus colegas. Em 1571, graças às
cuidadosas manipulações de sua mãe, Ferenc ficou noivo
de Elizabeth aos 16 anos, quando esta tinha apenas 11 anos de idade.
O casamento
Ferenc casou com Elizabeth a 8 de Maio de 1575 num acontecimento de gala
onde até o Santo Imperador Romano Maximian II foi convidado a estar.
Sabe-se que ele não pôde ir devido a viagens, mas enviou uma
delegação para o representar e um caro presente de casamento.
O casamento, que juntou as duas proeminentes famílias protestantes
realizou-se no castelo Varanno, onde o jovem Conde Ferenc Nadasdy juntou
o nome da condessa ao seu. Mas Elizabeth, naquela altura já emancipada,
escolheu permanecer uma Bathory a ficar apenas com o nome dela, já
que o seu nome era mais antigo e mais ilustre que o dele.
O desenrolar da história
Ferenc escolheu a guerra como carreira e já não permanecia
muito em casa, deixando assim Elizabeth no castelo Sarvar reinando e especialmente
disciplinando os criados. A Condessa levava essa disciplina a um ponto
considerado hoje sadismo.
Bater nas criadas com um cacete era a menor das suas punições,
de acordo com os relatos.
Frequentemente ela espetava alfinetes na parte superior e inferior dos
lábios das raparigas...na sua carne...e debaixo das unhas.
Uma punição particularmente dura era arrastar as raparigas
para a neve, fora do castelo, onde ela ou as suas aias despejavam água
fria nelas até morrerem congeladas.
Durante os primeiros 10 anos de casamento, Elizabeth e Fernenc não
tiveram filhos já que estavam muito pouco tempo juntos, pois ele
estava muito empenhado na sua carreira, mas por volta de 1585, Elizabeth
deu à luz uma rapariga que chamou de Anna. Nos nove anos seguintes
deu à luz Ursula e Katherina e em 1598 nasceu o seu primeiro filho,
Paul.
A julgar pelas cartas que ela escreveu a parentes, Elizabeth era uma boa
mãe e esposa, o que não era de surpreender visto que os nobres
costumavam tratar a sua família imediata de maneira muito diferente
dos criados mais baixos e classes de camponeses.
Uma das coisas que Elizabeth fazia para se divertir durante a ausência
do conde (que ia para as guerras) era visitar a sua tua Klara, a tal bissexual
assumida de que já falámos.
Rica e poderosa, Klara tinha sempre muitas raparigas disponíveis.
Sendo assim, Elizabeth divertia-se muito nas suas visitas à tia,
dado que a visitava com muita frequência. Enquanto isso, Ferenc criava
um grande nome para si próprio. Em meados de 1598, Ferenc era um
conhecido herói de guerra: era um de cinco heróis conhecidos
como o quinteto profano que inspirava o terror nos turcos. Os turcos até
mesmo o coroaram com uma popular alcunha para indicar o medo por ele. Chamaram-no
de "Cavaleiro Negro da Hungria".
Durante essa mesma altura, a coroa começou a ter problemas por causa
do pagamento aos seus heróis e acabou por ganhar uma enorme dívida
monetária à família Nadasdy, de quem Elizabeth agora
fazia parte.
A morte do Conde
No final de 1603, Ferenc ficou doente subitamente e acabou por morrer na
manhã de 4 de Janeiro de 1604, quando uma forte nevada caiu no castelo
Servar.
Nunca se chegou a saber se Ferenc tinha conhecimento das actividades homicidas
da sua mulher, mas sabe-se que durante o tempo que estava em casa também
gostava de torturar os criados. Quando Ferenc permanecia em casa durante
as raras tréguas com os turcos, juntava-se a Elizabeth e planeavam
métodos de tortura, mas não chegava ao ponto de matar os
próprios criados como Elizabeth fazia.
Apenas quatro semanas depois da morte do seu maridos em 1604, Elizabeth
decidiu que já tinha lamentado a morte dele o suficiente e depressa
se apressou a fazer aparições na corte.
Muitos historiadores pesquisadores da vida da Condessa dizem que a morte
de Ferenc foi o impulso suficiente para a sua reputação de
usar os banhos de sangue para fins cosméticos.
A evidência mostra que o seu comportamento sádico começou
em força depois da morte do seu marido e indica que nenhuma das
testemunhas no julgamento mencionou o facto da Condessa se banhar em sangue.
Uma possível justificação sobre o medo do envelhecimento demonstrado pela Condessa.
Uma antiga lenda diz que em certa altura enquanto passeava com um jovem
cavalheiro, Elizabeth foi verbalmente abusiva para uma senhora idosa, pois
esta achou que o aspecto da senhora era repulsivo. A senhora respondeu:
"Cuidado, ó vaidosa, em breve ficarás como eu e depois, o
que farás?"
Esta foi outra razão apresentada para justificar a obsessão
de Elizabeth com a idade e envelhecimento, apesar de não haver evidências
em nenhum documento que comprove este evento.
Vale a pena mencionar aqui algumas outras lendas embora novamente aqui
falte documentação para comprovar estas histórias.
A prática sanguinária de Elizabeth começou quando
uma criada acidentalmente puxou o cabelo da Condessa enquanto o estava
a pentear.
Elizabeth instintivamente bateu na rapariga com tanta força que
a mesma começou a sangrar, fazendo com que o sangue espirrasse para
a mão da Condessa.
Ao princípio Elizabeth ficou enraivecida e apanhou uma toalha para
limpar o sangue, mas subitamente reparou que à medida que o sangue
ia secando a sua pele parecia ter retomado a mesma brancura e jovialidade
da pele das jovens camponesas.
Embora pareça que ela nunca tomou banho em sangue de raparigas,
vários relatos mostram que ela as torturava de tal maneira que ficava
ensopada no seu sangue e tinha que trocar de roupa antes de poder prosseguir.
Elizabeth poderia ter continuado com esta moda de torturar criados até
à morte, à sua vontade e indefinidamente, porque até
os clérigos naquele tempo consentiam que os nobres tratassem os
seus criados da maneira que quisessem, por mais cruel que essa fosse e
legalmente não diziam nada.
Os seus cúmplices
Acompanhando a Condessa nestas acções macabras estavam um
servo chamado apenas de Ficzko, Helena Jo, a ama dos seus filhos, Dorothea
Szentos (também chamada de Dorka) e Katarina Beneczky, uma lavadeira
que a condessa acolheu mais tarde na sua sanguinária carreira.
Entre os anos de 1604 e 1610 uma misteriosa mulher de nome Anna Darvulia,
que provavelmente era amante de Elizabeth, juntou-se a ela e ensinou-lhe
novas técnicas de tortura. Passou a ser uma das mais activas sádicas
nas manhas de Elizabeth.
Depois de um severo golpe, que a deixou cega, Darvulia deixou o seu trabalho a Elizabeth, Helena Jo e Dorka, certa de que as tinhas ensinado bem.
Completamente em pânico, algumas raparigas tentaram em vão
escapar-se do castelo, embora se saiba que uma pouca minoria o conseguiu.
Aquelas que escapavam, eram logo encontradas e punidas da seguinte maneira
relatada:
"...uma
rapariga de 12 anos chamada Pola conseguiu escapar do castelo, mas Dorka,
ajudada por Helena Jo, apanhou a assustada rapariga de surpresa e levou-a
à força para o castelo de Csejthe.
A Condessa recebeu a rapariga no seu retorno. Estava furiosa, novamente.
Avançou para a rapariga e forçou-a a entrar numa espécie
de jaula. Esta jaula foi construída com a forma de uma grande bola,
demasiado estreita para ser possível uma pessoa sentar-se e demasiado
baixa para se poder permanecer em pé.
Uma vez posta a rapariga lá dentro a jaula era erguida por uma roldana
e dezenas de espigões ressaltavam de dentro dela.
Pola
tentou não ser apanhada pelos espigões, mas Ficzko manuseou
as cordas de modo a que a jaula oscilasse para os lados. A carne de Pola
ficou desfeita.
Com a morte de Darvulia, na altura em que Elizabeth atingiu os seus 40
anos, esta tornou-se ainda mais descuidada.
Era Darvulia que se certificava que as vítimas seriam apenas camponesas
e que nenhuma rapariga da nobreza era levada, mas com a sua morte e também
com as dúvidas das camponesas acerca das maravilhas do castelo Csejthe,
Elizabeth começou então a escolher raparigas da baixa nobreza.
Sentindo-se sozinha, a Condessa juntou-se à viúva de um fazendeiro
da cidade vizinha de Miava. O nome dela era Erzsi Majorova.
Aparentemente foi ela que encorajou Elizabeth a ir atrás de raparigas
de berço nobre para além de continuar a sua busca entre as
camponesas.
As atrocidades de Elizabeth continuaram:
Um cúmplice seu testemunhou que em alguns dias Elizabeth deitava
raparigas nuas no chão do seu quarto e torturava-as de tal maneira
que o chão ficava inundado de sangue.
Elizabeth teve de pedir aos criados que trouxessem um tapete para tapar
as piscinas de sangue.
Uma jovem aia que não conseguiu aguentar as torturas e morreu muito
rapidamente foi comentada da seguinte maneira no diário da Condessa:
"Ela era muito pequena..."
Elizabeth chegou a um ponto na sua vida em que ficou muito doente e não
conseguia levantar-se da sua cama nem arranjar forças para torturar
as suas criadas. Ordenou então que lhe fosse trazida uma das suas
jovens criadas.
Dorothea Szentes, uma rude mulher camponesa arrastou uma das criadas jovens
de Elizabeth para o seu lado e segurou-a aí.
Elizabeth ergueu-se da sua cama e tal como um cão raivoso, abriu
a boca e mordeu a rapariga na face. Depois seguiu para os ombros onde rasgou
um pedaço de carne com os dentes.
Depois disso, Elizabeth mordeu os seios da rapariga.
O seu maior erro
Elizabeth deixou de ser cuidadosa em providenciar enterros cristãos,
feitos pelo pastor protestante do local, pelo menos inicialmente.
Depois de algum tempo, o pastor recusou-se a prosseguir com estes ritos,
pois haviam demasiadas raparigas mortas por causas desconhecidas e misteriosas,
mas sempre levadas a cabo por Elizabeth.
Ela ameaçou-o então para que ele não revelasse os
seus actos e continuou a ter os corpos enterrados secretamente.
Mais perto do fim, os corpos começaram a ser deixados em locais
perigosos (nos campos junto ao castelo, na horta perto da cozinha, etc.)
Estas acções contribuíram muito para a descoberta
dos seus crimes.
Pormenores e descoberta dos crimes
Ao longo do seu reinado como "Condessa Sangrenta", depois da morte do seu
marido, outro dos seus propósitos foi fazer com que o rei húngaro,
Mathias II repusesse as dívidas que tinha ao seu falecido marido
Ferenc, de modo a que ela pudesse continuar com a sua vida sem preocupações.
O rei não pagou essas dívidas e Elizabeth teve de vender
dois castelos pertencentes à sua família nos arredores da
Transilvânia.
Estas acções chamaram a atenção do primo de
Elizabeth, o conde Thurzo.
O conde, reconhecendo o perigo deste procedimento, reuniu o resto do clã
Bathory e planeou mandar exilar Elizabeth num convento onde iria findar
os seus dias.
Os planos do conde Thurzo para conseguir salvar a família foram
interrompidos quando:
- no Inverno de 1610, Elizabeth achou que a sua posição social
era intocável perante a lei, desde que os seus criados lançassem
raparigas mortas das muralhas do castelo para um sítio descampado
onde existiam lobos vorazes. Mas, esta cena foi vista pelos habitantes
da vila de Csejthe, que informaram os oficiais do rei.
O rei e os altos oficiais da igreja forçaram o rei Thurzo a agir,
e ele assim o fez, apenas quis fazer as coisas de modo a proteger os interesses
da família Bathory.
O ataque foi planeado para ser realizado no feriado de Natal, enquanto
o Parlamento Húngaro não estava reunido.
A 29 de Setembro de 1610 foi efectuado o ataque ao castelo Csejthe.
Não houve necessidade de fazer um ataque nocturno e de surpresa,
pois ao longo dos anos, as evidências dos crimes de Elizabeth foram-se
acumulando.
Quando o grupo de ataque chegou à mansão senhorial de Elizabeth,
encontraram um corpo de uma criada espancada antes de entrarem.
Elizabeth e os seus cúmplices não se tinham preocupado em
enterrar o corpo.
Dentro da casa, os nobres deparara-se ainda com os corpos de mais duas
raparigas, pelos vistos muito marcadas pelas torturas e uma delas encontrava-se
ainda viva.
Na carta que escreveu à sua mulher, o conde Thurzo disse:
"Tomei a mulher Nadasdy em custódia, ela foi imediatamente levada
para a sua fortaleza...Irá ser bem vigiada e mantida em forte imprisionamento
até Deus e a lei decidirem acerca dela...Esperarei apenas até
que a mulher acusada seja levada para a fortaleza e se instale num quarto
próprio para ela."
O conde Thurzo não esperou por Deus e a lei, pois decidiu secretamente
que Elizabeth não devia ser levada a tribunal, mas sim sentenciada
a permanecer presa no seu castelo Csejthe.
Os julgamentos
Os julgamentos em 2 e 7 de Janeiro de 1611 foram feitos apenas para satisfazer
um acto oficial.
Durante os procedimentos, os testemunhos dos seus cúmplices, Ficzko,
Dorka, Katharina Beneczky e Helena Jo (Erzi Majorova foi julgada muito
mais tarde porque desapareceu) foram ouvidos.
É importante salientar que as quatro testemunhas mencionaram apenas
entre 30 e 60 mortes, mas uma quinta testemunha, ouvida no dia 7 de Janeiro,
revelou a peça do puzzle que faltava.
O testemunho mais surpreendente veio de uma mulher, identificada apenas
como "senhora Zusanna", não tendo sido mencionado o seu último
nome.
Depois de descrever as torturas feitas por Helena Jo, Dorothea e Ficzko...e
de ter pedido um atenuante para Katarina Beneczky, Zusanna revelou então
a evidência mais chocante deste julgamento: uma lista ou registo
que se encontrava num cesto de desenhos, feito pela Condessa onde a própria
revelava o número de raparigas mortas até então. Foram
650.
Os criados foram considerados culpados e as suas penas deliberadas da seguinte
maneira:
- Em primeiro lugar, Helena Jo, seguida por Dorothea Szentes, as então
chamadas de culpadas do grande crime, foram condenadas a: os seus dedos
(aqueles que usaram como instrumentos de tortura e na carnificina e ainda
por onde pingou o sangue de cristãs) seriam arrancados pelo executor
público com uma pinça incandescente. Depois disso os seus
corpos deveriam ser atirados vivos para o fogo.
- Ficzko foi decapitado, o seu corpo, exangue, juntar-se-ia ao dos seus
cúmplices e seria queimado. Apenas Katharina Beneczky escapou à
sentença de morte.
Mais tarde, a 24 de Janeiro de 1611, Erzsi Majorova foi encontrada, considerada
culpada e executada. Apenas Elizabeth não foi trazida perante a
corte e julgada, graças a uma carta escrita pela sua poderosa família
e graças às maquinações do conde Thurzo.
A sentença de Elizabeth
A sentença de Elizabeth foi proferida pelo próprio conde
Thurzo:
"Tu, Elizabeth, és como um animal" - disse ele - "estás nos
últimos meses da tua vida. Não mereces respirar o ar nesta
terra, nem ver a luz do Senhor. Irás desaparecer deste mundo e nunca
mais irás aparecer. As sombras irão encobrir-te e terás
tempo para te arrependeres da tua brutal vida. Condeno-te, Senhora de Csejthe,
a seres imprisionada perpetuamente no teu próprio castelo."
Trabalhadores foram chamados para tapar as janelas de cima a baixo com tijolos e a porta do quarto de Elizabeth no castelo de Csejthe onde ela passaria o resto da sua vida. Existiria apenas um pequeno orifício por onde passaria a comida e ainda algumas fendas para a ventilação.
Adicionalmente, quatro forcas foram construídas nos quatro cantos do castelo para demonstrar aos camponeses que justiça havia sido feita.
Em 31 de Julho de 1614, Elizabeth pronunciou a sua última vontade
e testamento a dois padres catedráticos da diocese de Esztergon.
Ela desejou que todos os bens que restassem da sua família fossem
divididos igualmente pelas suas filhas, o seu filho Paul e seus descendentes.
Acerca da sua morte:
Em Agosto do ano de 1614 um dos carcereiros da Condessa quis vê-la,
pois era sabido que ela tinha sido (ou era ainda) uma das mulheres mais
bonitas da Hungria.
Espreitando através da pequena abertura na sua cela de paredes,
ele viu a Condessa deitada no chão.
Elizabeth Bathory estava morta aos 54 anos.
O seu corpo era para ser enterrado na igreja da cidade de Csejthe, mas
os habitantes acharam repugnante a ideia de ter a "infame Senhora" sepultada
na cidade.
Ivan, o Terrível (1530-1584)
Ivan, o Terrível foi o primeiro czar da Rússia, e seu comportamento
arbitrário e cruel levou muitos a compara-lo a Vlad o Empalador,
o Drácula histórico. Ivan herdou o título do Grão-Duque
de
Moscovy quando tinha 3 anos de idade e cresceu observando as famílias líderes (os boiardos) de sua terra liderarem os países por um período de caus, à medida em que lutavam entre si por parcelas de poder. Tinha 17 anos quando um Conselho de Escolha surgiu para efetuar reformas. Embora eles tenham tido sucesso em acabar com o caus, Ivan discutiu continuamente com seus membros sobre uma vasta quantidade de assuntos administrativos. Em 1564, frustado, abdicou repentinamente. Quando o povo exigiu seu retorno, pôde ditar os termos de sua reintegração e obter o poder quase absoluto. Movimentou-se rapidamente para estabelecer sua própia elite governamental, a Oprichnina, que retirou grande parte do poder remanescente das mãos do boiardos.
O reinado de duas décadas de Ivan foi marcado, em parte, pela sua conquista das terras ao longo do Rio Volga e por seu movimento para a Sibéria, assim como a disastrosa guerra em que se envolveu quando tentou sem sucesso capturar a Livônia (hoje Estônia). Ele é mais lembrado, todavia não por suas ações políticas, mas por sua conduta pessoal. No afã de enstabelecer, agia rapidamente na punição (e às vezes execução) de muitos que desafiavam seu reinado ou que de alguma forma mostrassem desrespeito pelo que ele considerava seu status engrandecido.
Entre as tendências excepcionais mais lembradas pelos seus conteporâneos, Ivan possuía um senso de humor negro, bem similar ao que fora atríbuido a Vlad. Freqüentemente, esse humor caracterizava as torturas e execuções daqueles que se tornavam o objeto de sua ira. Conforme assinalou um historiador, S. K. Rosovetskii, muitas das histórias sobre Ivan eram variações daquelas atribuídas a Vlad um século antes. Por exemplo, havia a história folclórica romena sobre os cidadãos moradores da cidade de Tigorviste, a capital de Drácula. Os cidadãos tinham caçoado do irmão de Drácula. Em represália, ele reuniu os principais cidadãos (os boiardos) após as celebrações da Páscoa e, em suas melhores roupas, fez com que marchassem na construção do Castelo de Drácula. Ivan, reporta-se, fez algo parecido na cidade de Volgoda quando as pessoas o viram na manhã da Páscoa. Juntou-as todos ainda em suas melhores roupas de festa e construiu uma nova muralha para a cidade.
Talvez a mais famosa história de Drácula contada a partir de Ivan se referia ao enviado turco que se recusou a tirar seu chapéu na presença de Drácula. Este, em seguida, pregou o chapéu do homem a sua cabeça. Ivan, reporta-se, fez o mesmo com um diplomata italiano (ou, num relato alternativo, com um embaixador francês).
Ivan, como Vlad, muitas vezes se virava contra poderosas figuras da sociedade russa e os humilhava para evitar seu retorno à dignidade de seus cargos. Conta-se a história, por exemplo, de seu ataque sobre Pimen, o representante metropolitano russo-ortodoxo de Novgorod. Despiu-o de suas vestes litúrgicas e vestiu-o de ministrel ambulante (uma ocupação rejeitada pela igreja) e montou um casamento satírico no qual Pimen se casaria com uma égua. Apresentando o despido prelado com os sinais de seu novo status, uma gaita de foles e uma lira, Ivan despachou-o da cidade.
Ivan era diferente de Vlad com relação ao seu apetite sexual,
tinha sete esposas e cerca de 50 concubinas. Também deixou os seus
sucessores imediatos com uma herança mista. Embora tivesse expandido
o território da Rússia, deixou o país na bancarrota
e o descontentamento com seu reinado cresceu de forma contínua.
Ivan, todavia, morreu de forma pacífica enquanto jogava xadrez,
no dia 18 de março de 1584.

Paul finalmente disse a sua noiva que seu problema era oriundo dos dias de guerra. Na Sérvia Turca, tinha sido visitado e atacado por um vampiro. No final, matou o vampiro seguindo-o até seu cemitério. Também comeu um pouco da terra do túmulo do vampiro e cuidou de seus ferimentos com sangue do vampiro para se livrar dos efeitos do ataque. Uma semana depois de ter contado sua história, Paul foi vítima de um acidente fatal, e foi enterrado em seguida.
Algumas pessoas após seu sepultamento, vieram à tona relatos da aparição de Paul. Quatro pessoas que tinham feito os relatos morreram e o pânico se espalhou pela comunidade. Seus líderes decidiram agir para amenizar o pânico, desenterrando o corpo para determinar se Paul era ou não um vampiro. O túmulo foi aberto no quarto dia após seu enterro. Dois cirurgiões militares estavam presentes quando a tampa do caixão foi removida. Encontraram um corpo que parecia ter sido recém-enterrado. O que parecia ser pele nova estava presente sob uma camada de pele morta e as unhas continuavam a crescer. O corpo foi perfurado e o sangue jorrou. Os presentes acharam que Paul era um vampiro. Seu corpo foi empalado, ouvindo-se um forte gemido. Foi decapitado e cremado. O caso teria terminado ali, mas não foi o que aconteceu. As quatro outras pessoas que tinham morrido foram tratadas da mesma forma para que não reaparecessem como vampiros.
Em 1731, na mesma área, cerca de 17 pessoas morreram, com sintomas de vampirismo num período de três meses. Os moradores não agiram prontamente, até que uma menina se queixou que um homem chamado Milo, que tinha falecido recentemente, a atacara no meio da noite. Notícias dessa segunda onda de vampirismo chegaram à Viena e o imperador austríaco instaurou um inquérito a ser conduzido pelo cirurgião do Regimento de Campo Johannes Fluckinger. Nomeado em 12 de dezembro, Fluckinger se encaminhou para Medgevia e começou a colher informações do que tinha ocorrido. O corpo de Milo foi desenterrado, descobrindo-se que estava num estado similar ao de Arnold Paul. O corpo foi então empalado e cremado. Como é possível que o vampirismo, erradicado em 1727, tivesse voltado? Foi determinado que Paul tinha "vampirizado" diversas vacas das quais os mortos mais recentes tinham se alimentado. Sob as ordens de Fluckinger, os moradores passaram a desenterrar todos que tinham morrido nos meses recentes. Foram desenterrados quarenta, dezessete dos quais estavam num estado de preservação igual ao do corpo de Paul. Foram todos empalados e cremados.
Fluckinger preparou um relatório completo de suas atividades e apresentou-o
ao imperador no início de 1732. Seu relatório foi publicado
a seguir e tornou-se um best-seller. Em março de 1932, relatos de
Paul e dos vampiros de Medgevia circularam nos periódicos da França
e da Inglaterra. Em virtude da natureza bem documentada do caso, tornou-se
o foco de estudos e reflexões futuras sobre vampiros, e Arnol Paul
tornou-se o mais famoso vampiro da época. O caso de Paul foi muito
influente nas conclusões a que chegaram tanto Dom Augustim Calmet
e Giuseppe Davanzati, dois estudiosos católicos que escreveram livros
sobre o vampirismo em meados daquele século.
|
Um dos mais famosos vampiros históricos, Peter Plogojowitz morou
em Kisolova, uma pequena vila na Sérvia ocupada pelos austríacos.
Área oficialmente incorporada à província da Hungria.
Kisolova não ficava muito longe de Medgevia, a terra de Arnold Paul,
outro famoso vampiro cujo o caso ocorreu naquela mesma época. Plogojowitz
morreu em setembro de 1728, aos 62 anos. Três dias mais tarde, no
meio da noite, entrou na sua casa, pediu comida a seu filho, comeu e saiu.
Duas noites mais tarde reapareceu e novamente pediu comida. O filho recusou-se
a atendê-lo e foi encontrado morto no dia seguinte. Logo depois,
diversos moradores da vila ficaram doentes, com fadiga, diagnosticada como
excessiva perda de sangue. Relataram que, num sonho, tinham sido visitadas
por Plogojowitz, que os tinha mordido no pescoço, sugando-lhes o
sangue. Nove pessoas morreram misteriosamente dessa estranha doença
na semana seguinte.
O principal magistrado enviou um relatório das mortes ao comandante das forças imperiais, e o comandante respondeu com uma visita à vila. Os túmulos de todos os recém falecidos foram abertos. O corpo de Plogojowitz continua um enigma — parecia estar num transe e respirava suavemente. Seus olhos estavam abertos, suas carnes estavam roliças e sua compleição corada. Seu cabelo e suas unhas pareciam ter crescido e pele fresca foi encontrada bem abaixo da epiderme. Mais importante, sua boca estava manchada com sangue fresco. O comandante concluiu de pronto que Plogojowitz era um vampiro. O executor que foi a Kisolova com o comandante enfiou uma estaca no corpo de Plogojowitz. O sangue espirrou das feridas e dos orifícios corporais. O corpo foi em seguida queimado. Nenhum dos outros corpos apresentava sinal de vampirismo. Para protegê-los e aos moradores, alho foi colocado nas sepulturas e os corpos devolvidos às valas. A história foi relatada pelo Marquês d'Argens em seu Lettres Juives, que foi protamente traduzido para o inglês em 1729. Embora não tão conhecidos quanto os incidentes que começaram com Paul Arnold, o caso Plogojowitz se tornou uma pedra fundamental para a controvérsia do vampiro na década de 1730. |
![]() |
Peter Kurten (1883-1931)
Muitas vezes citado como um vampiro real, Peter Kürten - o chamado
Vampiro de Düsseldorf - foi um matador em série que operou
na Alemanha entre 1929 e 1930. Nasceu em Mulheim, Alemanha, um de dez irmãos,
filho de pai alcoólatra e brutal. Tinha vivido parte de sua juventude
como apanhador de cachorros e lembrava-se de ter-se deliciado com a morte
de cães não-reclamados. Kürten tinha apenas 9 anos quando
matou uma pessoa pela primeira vez. Empurrou um colega para dentro da água
e depois repetiu o ato com um segundo menino que tentava salvar o primeiro.
Sua segunda tentativa de homicídio ocorreu oito anos mais tarde, quando tentou estuprar e matar uma jovem. Ficou na cadeia durante quatro anos por causa dessa mal-sucedida tentativa. Morou nas ruas após ter saído da prisão, mas um ano depois estava novamente na cadeia por roubos e furtos. Alegaria, posteriormente, ter matado dois de seus companheiros de cela por envenenamento. Em 1913 estava de volta às ruas em Düsseldorf e matou novamente. Assassinou uma menina de 10 anos. Cortou sua garganta com uma faca e disse ter experimentado um orgasmo vendo seu sangue jorrar.
Não foi senão em 1929 que Kürten começou uma série de crimes que lhe dariam um lugar na história da criminalidade. Em fevereiro daquele ano tentou assassinar uma mulher e conseguiu matar duas crianças, um menino e uma menina, ambos à faca. Suas tentativas de homicídio, muitas vezes mal-sucedidas, não ajudaram a polícia. Acusaram um doente mental de ser o responsável pela morte do menino, que, na realidade, Kürten tinha matado.
Naquele verão foi mais bem-sucedido, matando nove pessoas somente no mês de agosto. Continuou matando durante o inverno de 1929-30. Em maio, tentou estrangular uma jovem, mas inexplicavelmente interrompeu a tarefa e deixou-a ir embora. Ela o identificou e ele foi preso. Durante sua farra de crimes, tinha confundido a polícia continuamente alterando seus métodos. Somente quando começou sua confissão, relatando acuradamente as circunstâncias de cada crime, é que foram dissipadas todas as dúvidas. Foi condenado e executado por decapitação em 2 de julho de 1931.
Kürten certamente não era um vampiro no sentido tradicional.
Superficialmente, demonstrava uma tendência vampírica em sua
obsessão por sangue, mas não gostava nem do vampiro folclórico
nem da tradição cinematográfica e literária
do vampiro moderno. Sua história de crimes se encaixa melhor na
história de assassinatos em série. A vida de Kürten
inspirou dois filmes, M (1931) e Le Vampire de Düsseldorf(1964).