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Aleister Crowley (1875-1947)

Crowley, indiscutivelmente, foi um personagem atípico entre os estudiosos de magia, tanto que chegou a ser definido pelos jornalistas como "o homem mais perverso do mundo", e ele próprio quis se denominar "a grande besta", a monstruosa criatura diabólica do Livro do Apocalipse. Personagem misterioso e inquietante, percorreu sem dúvida um caminho escuro e tenebroso e - segundo minha modesta opinião - caiu no Abismo. Dele é possível dizer tudo e exatamente o contrário; ocupou-se com drogas, com magia sexual, fundou ordens ocultas e esotéricas, escreveu livros indecifráveis mas intuitivos e impregnados de ensinamentos mágicos, publicou poesias, revistas, organizou espetáculos teatrais semelhantes a representações dos antigos mistérios, compôs rituais blasfemos e horripilantes e, o que mais conta, colocou-se em prática (como quando batizou um sapo com o nome de Jesus Cristo e o crucificou). Em 1904, foi ao Egito, onde recebeu de um Superior Desconhecido, por via mágica, o Livro da Lei, ditado por uma entidade sobre-humana, um tal Aiwass, com todos os postulados para uma nova religião, aos quais Crowley dedicou toda sua vida. Nos anos seguintes, percorreu o mundo, fundando lojas e mosteiros que divulgavam seu credo, tornou-se membro da Ordem do Templo do Oriente (OTO) e instituiu os rituais de magia sexual que alcançaram - e alcançam sobretudo nesses tempos - um crescente êxito. Em 1920, estabeleceu-se em Cafalu, perto de Palermo, e fundou a Abadia de Thelema, onde transmitia seus ensinamentos aos discípulos que acorriam em grande número do continente. Depois da expulsão da Itália, voltou para a França, viajou para a América e acabou se estabelecendo em Hastings, na região Sussex (Inglaterra), onde morreu por degeneração do miocárdio, a 1º de dezembro de 1947, destruído pelas drogas.

Morrendo, deixou uma grande quantidade de material, em boa parte ainda inédito, e diversos seguidores espalhados pelo mundo que se multiplicam em grupos e repetem, mais ou menos fielmente, seus ensinamentos. É útil, para o leitor já experimentado, consultar sua obra-prima, Magick.