
Gótico
Por
Beatrix Algrave - www.beatrix.pro.br
"É que cada um tem uma idéia
própria , geralmente deturpada, da Idade Média. Só
nós monges daquela época sabemos a verdade, mas, ao dizê-la
podemos ser queimados vivos." - Umberto Eco
O Gótico não é apenas uma opção de estética
e sim uma mistura entre surrealismo, romantismo e estilo medieval. O Estilo
Gótico tem origem nos Tempos Medievais, séculos XIII e XIV,
ligado principalmente a arquitetura como catedrais e igrejas. O aparecimento
do verdadeiro Estilo Gótico vem alguns anos a frente, onde a Época
Medieval já era considerada um período bárbaro e obscuro,
os bárbaros que lá viviam eram chamados de genos, portanto
Gótico significa Bárbaros por excelência, causando
assim um profundo desprezo.
O gótico, portanto é aquele que cultiva a depressão,
utiliza a música, a arte e a literatura para expressar suas decepções
tanto amorosas quanto da vida, sua opinião sobre o mundo e sobre
as coisas no qual ninguém se importa, ou ainda para criticar aquilo
que tanto o incomoda.
A literatura Gótica faz uma grande distinção entre
o BEM e o MAL, onde Satã possue um grande papel. São muito
citados nos textos góticos a noite, o pessimismo, a loucura, os
sonhos, as sombras, as quedas, o medo, a decomposição, a
atração pelo abismo, sem se esquecer da principal: a MORTE
e a VIDA.
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Góticos:
opções estésticas e definições
Em
primeiro lugar vamos as definições começando pelo
sentido etimológico e histórico da palavra.
O
termo gótico têm sua origem ligado a um estilo de arte medieval
presente entre os séculos XIII e XIV que sucedeu ao estilo românico
(séculos XI e XII) fazendo-lhe oposição. Sua presença
é marcante no que se refere principalmente a arquitetura, sendo
famosas as catedrais que seguiram o seu padrão arquitetural como
Notre-Dame de Paris, Chartres e Reims.
O
aparecimento do termo gótico entretanto encontra-se alguns anos
a frente dessas construções medievais. Durantes os séculos
em que foi moderna, a arte ótica era conhecida sob o nome de opus
francigenarum, o que significa obra francesa e indica bem a sua principal
origem. Entretanto nos séculos XV e XVI com a renascença
e o entusiasmo pela antiguidade clássica, passou-se a considerar
a Idade Média como uma época bárbara e obscura. Como
os godos eram os bárbaros mais conhecidos, o estilo passou a se
chamar gótico, ou seja, bárbaro por excelência, alcançando
um sentido pejorativo e de profundo desprezo.
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O
Romantismo e o resgate da estética medieval:
"É
que cada um tem uma idéia própria, geralmente deturpada,
da Idade Média. Só nós monges daquela época
sabemos a verdade, mas, ao dizê-la podemos ser queimados vivos."
O
movimento romântico que se fez presente no século XIX procurará
romper com os valores do classismo que assim como o renascimento exaltava
os valores estéticos da antiguidade clássica e o racionalismo.
Ao afrontar esses padrões o romantismo faz uma espécie de
reabilitação da Idade Média e do seu imaginário.
Muitas obras românticas como por exemplo Notre-Dame de Paris de Vitor
Hugo têm como cenário a Idade Média. Entretanto a visão
dos românticos era extremamente idealizada.
São
ainda os românticos os responsáveis pelo surgimento do "gothic
novel" ou "romam noir", normalmente ambientados em castelos sombrios e
ambientes tenebrosos. O castelo de Otranto lançado em 1764 por Walpole
é um celebre exemplo disso. A Gothic Novel utiliza o passado como
cenografia, pretexto para a construção fabulística,
para dar livre curso a imaginação. Walpole pode ser cosiderado
o criador e precursor do "gothic novel", seu romance foi inovador rompendo
com os padrões literários então vigentes, criando
uma atmosfera repleta de personagens inverossímeis, terrores sobrenaturais
e castelos arruinados. O estilo fez um tremendo sucesso, sendo copiado
por vários autores, indo muito além do romantismo nas formas
do conto fantástico, conto de terror e até a ficção
científica.
O
verme romântico nasce ainda sob os trajes do herético do anjo
caído, é o "maldito" por excelência, e isso não
podemos perder de vista. Sob esta ótica o romantismo é ainda
a reabilitação do mal, onde o mal se transforma em discurso
noir, discurso de desconstrução moral que se perpetuará
no século XX através do Dadaísmo e do Surrealismo.
É
no romantismo literário que se torna mais aparente e mais facilmente
acessível para nós esse esforço sincrético
para reintegrar no Bem o Mal e as trevas, herdando toda a dramatização
da literatura bíblica e da iconografia medieval. Satã faz
sua entrada triunfal como o Mefistófeles de Goethe, sendo o herói
byroniano do Mistério de Caim. Faz-se a celebração
da noite obscura, que passa a ser o lugar previlegiado da celebração
dionisíaca tão presente na obra de Novalis ( Hinos à
Noite). Acompanhando o resgate dos valores noturnos temos o pessimismo,
a loucura, os sonhos, as sombras, a decomposição,a queda,
a atração pelo abismo, a morte e a urgência pela vida.
Esta
inversão de valores é facilmente reconhecida nas obras de
Vitor Hugo como Le Fin de Satan e a já citada Notre-Dame de Paris,
onde a maldade e a feiúra tornam-se em ideal.
O
herói romântico traduz-se nas figuras do dândi e do
libertino, imortalizados em vida e obra por Wilde, Byron e Sade.
O
romantismo abre espaço para o terror diabólico e ancestral
nas obras de Poe, Le Fanu e Bram Stocker, surgindo da obra destes dois
últimos a figura nefasta do vampiro, o amante imortal.
No
dark side do romantismo portanto, encontramos praticamente todos os elementos
estéticos que tanto deliciam os góticos até os dias
de hoje... Além da sua origem através do gothic novel.
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Amor
aos vermes
Claro
que não é apenas no romantismo que os atuais góticos
se nutrem, mas é na escola de morrer cedo que encontramos as suas
referências mais preciosas, além da origem da atual acepção
do termo. Todos os vermes na verdade tem a sua contribuição
a dar, seja um Bosch entre a Idade Média e a renascença,
um Byron romântico, um Dali surrealista, a degenerescência
de um Fritz Lang, ou o cinismo caústico de um Wilde, pois onde quer
que surja uma sociedade ordenada e racional, lá surgirá o
verme delirante, receba ele o nome que for. E talvez seja este o princípio
estético dos góticos, o amor aos vermes, não importa
a linguagem
ou escola artística.
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Arquitetura
e Escultura Cemiterial
Apesar da aparência muitas vezes triste, os cemitérios, principalmente
os mais antigos podem guardar ricas surpresas para quem se dispõe
a procurar. Alguns constituem verdadeiras galerias de arte a céu
aberto sendo até mesmo possível encontrarmos peças
e esculturas de artistas famosos. Em países como a França
e Argentina alguns cemitérios são até mesmo pontos
turísticos que atraem viajantes do mundo inteiro como por exemplo
os Cemitérios de Pére Lachaise (Paris) e da Recoleta (Buenos
Aires).
Eles
são concorridos pontos turísticos por terem entre seus moradores
eternos figuras famosas que fizeram história nas artes ou na política.
Mas com certeza a beleza da arte tumulária presente nestes cemitérios
contribui e muita para a sua fama.
No
Brasil também encontramos exemplo magníficos de arte tumulária
principlamente nos cemitérios de São Paulo como Consolação,
Araçá, Paulista e Morumbi. Também existem importantes
acervos de arte tumulária no Rio de Janeiro, na Bahia e em Recife.
Entretanto ao contrário do que ocorre em outros países são
poucos os que percorrem os cemitérios brasileiros para visitação
de túmulos ilustres (com exceção do dia de finados)
ou que saibam apreciar as obras de arte que estes cemitérios muitas
vezes escondem. Muitos dos jazigos presentes nestes cemitérios foram
feitos por artistas europeus e com materiais muitas vezes importados, tudo
com o objetivo de enaltecer o nome das famílias abastadas. Em cemitérios
como o da Consolação em São Paulo é possível
encontrar obras de artistas consagrados como Brecheret e Luigi Brizzolara
ao lado de outros não tão conhecidos como Eugênio Pratti
e Ramando Zago. Muitos artistas italianos de renome deixaram um enorme
acervo de peças espalhadas pelos cemitérios brasileiros,
principalmente em São Paulo, e muitas destas peças só
agora estão sendo identificadas. Para se ter uma idéia, somente
no cemitério do Araçá existem cerca de 80 peças
catalogadas, de notório valor artístico.
O
caráter individualizador do nome da família é uma
das preocupações do imigrante europeu no Brasil, a partir
da segunda metade do século XIX. Os cemitérios de Vila-Verde,
Municipal de Curitiba, do Araçá e do Braz de São Paulo
formam conjuntos de capelas jazigos familiares, recriando aquela atmosférica
doméstica dos bairros tradicionais dos imigrantes. A comunidade
representa-se, então , no todo do divisionismo e nos hábitos
das famílias usuárias, que tratam de suas capelas como se
fossem prolongamentos de suas próprias casas, levando para os jazigos
os mesmos arranjos decorativos que o seu nível cultural lhes permite
refletir. A preocupação do colono europeu na área
de enriquecimento imediato era muito tendente a individualizar seu nome,
através da exibição de sinais de abastança.
O caráter monumental da última morada era para muitos fruto
de uma ansiedade de se auto-afirmar socialmente.
No
estudo dos cemitérios brasileiros os estilos se sucedem como nas
necrópoles européias, porém com datas defasadas e
submetidos às razões da disponibilidade dos materiais locais.
Há uma certa diferença entre os objetos produzidos no percurso
da belle époque e os que surgiram logo após, de um estilo
diferenciado, denominado art noveau. Nas principais metrópoles européias
o início da art noveau tem data certa em 1890. O seu surgimento
elege a máquina como instrumento de pluralização de
produção artística, capacitada para atender o consumo
da decoração doméstica, trajes, e objetos de uso cotidiano
até o nível da pequena burguesia urbana. Os meios de lavor
artístico adquirem soluções mecânicas com instrumental
elétrico de muito maior rentabilidade de tempo e produção.
Brocas serras e polidores elétricos, novos métodos de fundição
e metalurgia possibilitam a reprodução de protótipos
de objetos de criação artística, ao nível industrial.
Em
relação a arte cemiterial, tais possibilidades determinam,
em todos os centros urbanos de expressão e riqueza, novas e reconhecíveis
características. Até então as construções
cemiteriais se valiam do trabalho artesanal e da eventualidade artística.
Com o trabalho industrial mecanizado, as fundições passaram
a fornecer gradis e portões, cercaduras de ornatos, frisos, cruzes
e alegorias pré-moldadas, vigas metálicas, colunatas de estruturas
, etc. A estatuária náo era mais trabalho do escultor, neste
caso entendido como o artista criador do objeto modelado. Estatuário
na linguagem do século passado, corresponde ao artesão habilitado
a reproduzir em pedra os protótipos encomendados, mediante pantógrafo,
brocas elétricas e produção em série.
O
traço que distingue a passagem da arte tumulária neoclassista
para a da belle époque corresponde, em primeiro lugar à diminuição,
e mesmo esvaziamento da simbologia escatológica tradicional. Estas
eram freqüentes, quase obrigatórias na fabricação
dos marmoristas de Lisboa, tanto na representação do objeto
principal como na distribuição dos elementos alegóricos.
A belle epoque se despe da excessiva carga escatológica e se realiza
como uma nova espiritualidade lírica, procurando impregnar, até
as próprias alegorias, com uma aparência de profundo realismo,
de verismo. Por isso logo transforma a figura alada e assexuada dos anjos
da estatuária classista, em novos personagens, em anjos de procissão
que parecem existir em nosso cotidiano. Os anjos da belle époque
ganham sexo, expressam a idade, brincam como crianças, refletem
juventude, mas também sabem assumir quando querem traduzir desolação,
as atitudes mais teatrais e melodramáticas.
O
romantismo das figuras da belle époque embora tenha uma apresentação
realística não pode ser identificado com os sinais eróticos
que se manifestariam depois na arte tumulária. São igualmente
freqüentes na arte tumulária da belle époque sinais
de referência e de simbolização de fortuna, do prestígio
e da ropriedade. A presença de alegorias pagãs, como o símbolo
do deus Mércurio (ou Hermes, do Comércio), além de
outras figuras mitológicas como ninfas também é constante.
A belle époque também não foi insensível ao
enaltecimento dos produtos industrializados substituindo o bronze pelo
ferro em muitas das esculturas.
O final do século
XIX e princípio do século XX foi extremamente rico para a
arte cemiterial brasileira por reunir ao mesmo tempo famílias com
recursos financeiros e disposição para construir túmulos
suntuosos e artistas de grande talento que aqui aportaram, principalmente
italianos. São desse período muitas das peças produzidas
por Brecheret, de caráter modernista, além de outras peças
que denotam sensualidade e monumentalidade, como a dos artistas Emendabili,
Oliani e Nicola Muniz. Todos apresentando uma riqueza de detalhes e leveza
surpreendentes. A presença de nus na arte cemiterial é uma
grande inovação deste período.
Nos
cemitérios brasileiros não é tão fácil
distinguir-se essa sucessão cronológica dos estilos, comparecendo
a belle époque e art noveau muitas vezes como mercadorias importadas,
imitadas, dispostas e acumuladas ao longo das quadras. Devido a disposição
muitas vezes atrofiada de alguns cemitérios até mesmo observar
as peças torna-se muitas vezes um grande sacrifício. Outro
fator de prejuízo é sem dúvida a má conservação
de muitas das necrópoles brasileiras, algumas centenárias
e em estado de total abandono. Numa perda irreparável de um belo
patrimônio artístico nacional. Hoje em dia, com o surgimento
dos chamados cemitérios-jardim a arte da escultura cemiterial praticamente
está extinta. Outro fator que leva a presença cada vez mais
escassa de túmulos monumentais, é o alto custo dos materiais
como o mármore, ferro e bronze, além da quase inexistência
de artistas que se dediquem a este tipo de trabalho. Resta-nos portanto
lutar para preservar esta verdadeiras obras de arte que ainda subsistem
espalhadas pelos cemitérios brasileiros, começando por reconhecer
o seu inestimável valor estético.
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Origem
dos Cemitérios no Século XVII
"Esta
a morte perfeita, nem lembranças, nem saudade, nem o nome sequer.
Nem isso..." - Lygia Telles (Venha ver o pôr-do-sol)
Aconteceu
no mundo inteiro, um fenômeno curioso no final do século XVII.
Por medida sanitária os sepultamentos passam a realizar-se em área
aberta, nos chamados campos-santos ou cemitérios secularizados.
Isto
já não era novidade: japoneses, chineses, judeus e outros
povos já traziam tradicionalizada a inumação a céu
aberto. Os protestantes também, em muitos países o faziam.
A mudança afetou principalmente os povos de predominância
católica. No Brasil, o enterro fora da Igreja era reservado aos
acatólicos, protestantes, judeus, muçulmanos, escravos e
condenados, até que por lei, inspirada na correlação
que se fez entre a transmissão de doenças através
dos miasmas concentrados nas naves e criptas, se instalaram os campos de
sepultamento ensolarados.
Um
outro motivo, que embora não diga respeito a realidade brasileira
merece ser citado, diz respeito a laicização do Estado e
sua separação da Igreja. Um exemplo digno de nota é
o caso do Pére Lachaise de Paris (descrito melhor logo a seguir),
que apesar de receber o nome de um padre católico, abriga tanto
pessoas de várias religiões quanto não-religiosos,
sendo um dos dos primeiros cemitérios laicos e também um
dos mais famosos do mundo.
A
urbanização acelerada e o crescimento das cidades é
também uma importante razão para a criação
dos cemitérios coletivos a céu aberto, visto que o crescimento
populacional desenfreado não permitia mais o sepultamento em capelas
e igrejas, que já não comportavam o aumento da demanda.
Numa
primeira impressão o fato parece ter explicação simples,
mas quando se atenta para o resultado ocorrido, sobre mais de um século,
estudando-se o fantástico derrame de fortunas nas construções
tumulárias pomposas, dos abastados de cada cidade, quando se verifica
a diferença de comportamento entre a sepultura de igreja e a de
construção livre arbitrada pela fantasia do usuário,
e também quando se considera a história social e cultural
do mesmo período, então se percebem outras razões
no fenômeno. Não foi somente uma questão do ponto de
vista higiênico, ou seja, uma razão metade prática
e metade científica (e também política e social),
da sociedade oitocentista. Se esta mudança acontecesse apenas por
esse motivo, os cemitérios católicos em descampados teriam
permanecido sóbrios e padronizados do mesmo modo que os erigidos
por irmandades em mausoléus coletivos, ou como os de outras religiões.
A
simplicidade dos padrões tradicionais e primitivos continuou caracterizando
a sepultura coletiva enquanto o fausto e a arrogância da tumulária
individual se desenvolveu espantosamente.
Portanto
a verdadeira razão da grande mudança de atitude e gosto já
existia há longos tempos no anseio de monumentalizar-se perante
a comunidade. Era e sempre foi o desejo dos mais abastados, distinguir-se
através de uma marca perene, de um objeto de consagração
- o túmulo - pela atração de compara-se aos grandes
personagens da história, sem a menor cerimônia, incluindo
nesta leva os soberanos, os faraós, os reis, os papas e os príncipes,
que mereceram sepulcros diferenciados dos demais.
Há
de fato túmulos monumentais de papas de acordo com a pompa de cada
época, contudo sempre integrados à construção
da igreja. Há papas que não restaram por virtudes, e sim
pela eventualidade do valor artístico, ou monumental de seus túmulos.
De qualquer modo, erigia-se a igreja como bem público, integrada
ao uso coletivo, e nela se fazia a sepultura do seu doador e benfeitor.
Entretanto
em muitas igrejas, originalmente levantadas para serem o jazigo do doador,
este descansa sob uma lápide que nem perturba o nível do
chão. A arte tumulária varia com a data, acompanha cada estilo
de época, e de região, e jamais sonega o caráter,
a espiritualidade do meio em que ocorre. Sob tal prisma, isto é,
tomando-se a arte tumulária como representativa desses atributos,
podemos entender as estruturas sociais e culturais dos meios, mesmo quando
tal se acha restrita a uma parcela da população. Aliás,
tal restrição, relaciona-se diretamente com o tipo de economia
da sociedade, estando deste modo a arte cemiterial condicionada a fatores
de caráter sociológico, econômico e cultural.
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Pére
Lachaise de Paris
O
grande cemitério de Pére Lachaise de Paris, fundado em 1804,
precede em meio século os sepultamentos em cemitérios abertos
decorrentes das leis e dos motivos sanitaristas, conforme ocorreu no Brasil.
O Pére Lachaise, que
era um bosque, continuou a sê-lo e jamais perdeu o predomínio
paisagístico. Suas sepulturas celebrizadas pelos nomes dos sepultados,
vão desde a estela simples até a estatuária monumental
e as capelas jazigo de enorme riqueza. Todavia, o distanciamento entre
uma e outra, a topografia em aclive, as veredas até o fim da vista
e os caminhos curvos arborizados permitem um percurso e uma compreensão
de todas as datas, desde os túmulos góticos transladados
até o da escultura expressionista de nossos tempos.
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Arquitetura
Gótica
"Idade
média, és a minha escura subjacência." - Clarice Lispector
A
maioria das pessoas quando houve a palavra "gótico", lembra logo
das grandes e célebres catedrais medievais como Chartres, Reims
e Notre-Dame de Paris. Mas será que isso teria alguma coisa a ver
com as bandas européias de Gothic Rock como Siouxsie & The Banshees,
Sisters of Mercy ou Bauhaus? Ao citarmos esta última em particular
aí é que a coisa complica, afinal Bauhaus não era
também uma escola de arquitetura criada em 1919 e fechada depois
pelos nazistas?
Para
encontrar respostas a estas perguntas vamos por partes:
Como
já discutimos em outro tópico sobre a origem do termo gótico,
existe sim uma relação com a arte gótica da Idade
Média, mas filtrada pela reconstituição cultural que
os românticos fizeram incorporando elementos da arte medieval em
suas obras, como forma de contestar o classismo e seu apego a antiguidade
clássica e ao racionalismo. No romântismo ao contrário
havia um retorno idealizado em relação ao místico
e ao imaginário medievais (elementos presentes também na
arte barroca). E não há ícone melhor da Idade Média
que a catedral gótica.
Neste
sentido duas obras românticas são fundamentais: Notre-Dame
de Paris de Vitor Hugo, e o Castelo de Otranto de Walpole.
Na
obra de Vitor Hugo, a catedral torna-se o centro de toda a ação.
O autor busca no passado histórico o rompimento com a estética
clássica, elegendo o feio seu ideal de beleza, fazendo do disforme
Quasímodo, o herói da história. Hugo considera ainda
em seu romance a arte gótica como a verdadeira arte popular. Quanto
a Walpole, é curioso notar que a idéia do romance se originou
de um sonho e que posteriormente levou Walpole a construir um castelo gótico,
o que acabou se tornando comum a época, em que vários dândis
torraram fortunas na construção de castelos góticos
medievais em pleno século XVIII.
O
castelo medieval era ainda o cenário privilegiado do roman noir,
com seus calabouços, masmorras, fossos, imensas salas, corredores
sombrios e passagens secretas. É no castelo, em noites de tempestades
e lua cheia que se dá o clímax das gothic novels, como ficou
conhecido o gênero.
São
resgatadas do cenário medieval personagens do imaginário
cristão e popular, como o vampiro e porque não, Satã.
O
Drácula de Bran Stocker não é nada mais que o lendário
conde Vlad Teps da Transilvânia que segundo consta teria vivido no
século XVI, e que tanto deliciou a imaginação dos
românticos do século XIX.
Quanto
a Satã, Goethe traduziu-o na figura de Mefistófeles, uma
das personagens mais marcantes da literatura mundial. Todos os elementos
estéticos, muitas vezes grotescos, que se encontram no roman noir
ou gothic novel, tem no castelo e na catedral góticos a sua melhor
inspiração e representação. E não é
nenhum mistério que daí tenha saído a inspiração
para 09 entre 10 bandas de Gothic Rock.
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Cinema
Gótico
"Quando me perguntam de
onde vem minhas idéias, respondo que se originam de meus próprios
pesadelos, mesmo quando não estou dormindo.
Temos medo de tudo: do
desconhecido, do abismo, da noite, das tempestades, da selva e dos desertos.
Na hora de escrever, basta pensar que aquilo
que me assusta provavelmente
também assusta os outros. Em algum lugar dentro de nós existe
uma chave que acende o medo; é aí onde se instala o
conto de terror, quando
está bem escrito, pois o homem sente mais atração
por monstros e dragões do que por heróis. Como é impossível
estar sempre lutando contra nossos próprios demônios e males,
de vez em quando sentimos necessidade de levá-los para passear."
- Stephen King.
A
sétima arte está repleta de obras-primas do gênero
terror-suspense, filmes que de uma forma ou de outra expressam e exibem
a face obscura e irracional da imaginação humana.
O
porquê nos sentimos atraídos e fascinados pelo horror até
hoje é um mistério. Os filmes de terror nasceram praticamente
junto com a cinematografia. O primeiro filme do gênero surgiu em
1896 e chamava-se Escamotage d'Une Dame Chez Robert Houdin, e em 1912 veio
A conquista do pólo no qual um expedicionário era devorado
pelo abominável homem das neves. Passando por clássicos como
O gabinete do Dr. Caligari de Weine e Nosferatu de Murnau, até o
sádico Freddy Krueger nos anos 80, o gênero é um dos
mais prolíficos já inventados.
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Literatura
Gótica
Quem
pensa que a lista de autores cultados pelos góticos se resume a
trilogia Poe-Baudelaire-Byron, está profundamente enganado. No terreno
da literatura as influências são as mais variadas possíveis
englobando românticos, surrealistas, beatnicks, expressionistas,
modernistas, dadaístas e coisas que vão além da nossa
imaginação.
Tudo
começou com sir Horace Walpole e seu livro O castelo de Otranto
lançado em 1764. Este livro discordava radicalmente dos padrões
então vigentes. Sua atmosfera estava repleta de fantasmas, passagens
secretas, terrores sobrenaturais e inverossímeis. Estava assim inaugurado
o roman noir. O roman noir ou gothic novel, surgido durante o romantismo
é mais uma atmosfera literária do que um estilo ou escola
propriamente dita. Eis o porque deste gênero espalhar-se por outros
estilos literários além do romantismo, rompendo todas as
fronteiras da literatura. O conto de terror, o conto fantástico
e a ficção científica podem ser considerados seus
herdeiros diretos, garantindo ao gênero gótico uma extrema
vitalidade até os dias de hoje. Aqui estão portanto citadas
as pincipais obras da literatura gótica, romântica,fantástica
e de terror. Esta pequena seleção bibliográfica está
aberta a sugestões e inclusões. Alguns livros trazem resenha,
para vê-la basta clicar sobre o título. É possível
igualmente ver a biografia de alguns autores, bastando clicar sobre os
nomes. Também fiz questão de incluir autores nacionais que
de alguma forma se afinam ou sofrem influência da estética
gótica.
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Aldous Huxley, "Admirável
Mundo Novo"
Apuleio, "O burro de ouro"
Álvarez de Azevedo,
"Noite na Taverna", "Macario"
Ann Radcliffe, "Os castelos
de Athlin e Dunbayne", "O italiano", "O confessionários dos penitentes
negros"
Anne Ricce, "Entrevista com
o vampiro"
Anthony Burgess, "Laranja mecânica"
Arthur conan Doyle, "Um estudo
em vermelho" e "O cão dos Baskerville"
Arthur Rimbaud, "Uma temporada
no inferno"
Augusto Carvalho Rodriguez
dos Anjos, "Eu"
Bram Stoker, "Drácula"
Bryon, "Poesias", "Horas de
Ócio", "Don Juan"
Cecília Meireles, "Cânticos",
"Crônicas de Viagem" e "Espectros"
Chamisso, Hoffmann, Gogol,
Andersen, "Contos dos homens sem sombra" (Coletânia)
Charles Baudelaire, "Flores
do mal", "Paraísos Artificiais"
Charles Dickens, "David Copperfield",
"O abismo"
Charles Maturin, "Melmoth.
O viandante"
Charles Nodier, "Smarra; ou,
Os demônios da noite"
Clarice Lispector, "A paixão
segundo G.H.", "Perto docoração selvagem", "Laços
de família", e todos os outros
Daniel Defoe, "Contos de Fantasmas",
"Um diário do ano da peste"
Dante Allighiere, "A divina
comédia"
Diderot, "A religiosa"
Donna Tart, "A histó
secreta"
Edgar Allan Poe, "O corvo"
(poema), "Histórias Extraordinárias"
Emily Bronte, "O morro dos
ventos uivantes"
Ernst Theodor Amadeus Hoffmann,
"Contos fantásticos", "O pequeno Zacarias chamado Cinábrio",
"Contos sinistros", "Irmã Mônica"
Eurípedes, "Medéia"
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Música
Gótica
Gothic
Music: O lado obscuro do pós-punk.
No
final dos anos 70 e início dos anos 80, a raiva e a agressividde
que incendiavam o movimento punk começam a ceder lugar a uma profunda
depressão e um sentimento de insatisação de um lado
e falta de perspectiva do outro. Na Inglaterra, Margareth Tatcher assume
o poder, triplica-se o desemprego e aumenta a inflação. Este
é o cenário triste da chamada década perdida.
Nas
paradas musicais domina a pose, o glamour do pop inglês e da dance
music com seus artistas poseurs e cintilantes.
Entretanto
algo estava para acontecer em uma cidadezinha chamada Manchester, onde
havia muita gente morando em subúrbios cinzentos recusando-se a
enterrar o legado punk, e achando que aquele pop poseur tinha muito pouco
a ver com a vida real na Inglaterra.
E
é na mesma Manchester que surge o porta voz ideal destes angustiados
de quarto, na figura de Ian Curtis, um dos primeiros a transformar toda
essa melancolia e desilusão em música, através da
sua banda Joy Division, que apesar da curta duração devido
ao suicídio de Ian, seu vocalista, deixou como legado o rock mais
melancólico e desesperado já feito. Sendo uma das bandas
mais representativas do movimento pós-punk, como ficou conhecido
este substilo musical do rock, que apresentava elementos musicais do punk
mas com uma dose de melancolia mais acentuada. E é dentro do pós-punk
que encontramos as mais representativas bandas do chamado estilo gótico,
que no Brasil também foi chamado de dark, devido a preferência
por roupas pretas de seus adeptos.
É
nos anos 80 que a morte será o tema mais recorrente nas canções
pop, sendo igualmente comuns temas como melancolia, desespero, abandono,
decepções amorosas e falta de perspectivas. Estes temas estarão
presentes nas músicas de um certo grupo suburbano de Crowley, Sussex,
Inglaterra; chamado The Cure, cujo vocalista Robert Smith com seu jeito
soluçante de cantar, cabelos desgrenhados e olhos pintados de preto,
fez a alegria dos cultuadores de "deprê" em canções
como One hundred years, The hanging garden e Siamese Twins, atingindo seu
climax "noir" no disco Pornography de 1982.
Entretanto
a cristalização do gótico em quanto gênero esteve
a cargo de um quarteto de Northampton (Inglaterra), que em seu primeiro
single desfia loas a um tal Bela Lugosi, famoso vampiro dos anos 30, e
cujo vocalista Peter Murphy delirava pesadelos com sua voz soturna sob
um baixo pesadão e efeitos macabros de guitarra; falando de temas
como morte, vampiros, morcegos e rituais pagãos.
A voz igualmente soturna de Andrew Aldritch foi o selo definitivo de movimento
gótico, sendo seu grupo, The Sister of Mercy considerado, com toda
razão, o maior representante do gênero. Não se pode
também esquecer as musas, pra ser mais exato duas musas, madrinhas,
divas e rainhas máximas do gótico: Siouxsie Sioux e Anja
Howe.
Comecemos
por Siouxsie Sioux, a Bruxa madrinha de uma geração de cabelos
arrepiantes, com seu estilo misto de diva dos anos 20 e de prostituta nos
seus belos olhos extremamente maquiados. Siouxsie e seus banshees eram
majestades únicas do reinado gótico. Guitarras distorcidas,
batida tribal, harmonias fluidas e climas mórbidos se traduziam
em pérolas como A Kiss in the Dreamhouse, Kaleidoscope e Nocturne.
Siouxsie também foi uma das primeiras cantoras a liderar uma banda
mais pesada. Nascidos no movimento punk, Siouxsie & The Banshees souberam
fazer a perfeita transição para o gótico, sendo um
dos precursores do estilo.
Quanto
a sua majestade loira, Anja Howe, a vocalista da banda underground alemã
X-Mal Deutschland, pode ser considerada pioneira do estilo gótico
na terra de Goethe. Com sua voz inconfundível cheia de alalaôs
e anomatopéias, acompanhada de guitarras e baixo linha serra elétrica.
Eram também comuns na banda, o uso de recursos eletrônicos,
criando sons viajantes que mesclados ao vocal sedutor, criavam texturas
delirantes num perfeito clímax lírico-depressivo; levando
os mortos vivos à loucura através de obras primas como Incubus
Succubus, Tocsin e a maravilhosa Matador.
Seria ainda uma grande injustiça deixar de citar outras bandas igualmente
seminais do estilo Gothic e do Darkwave como Clan of Xymox, The Mission,
Opera Multi Steel, Poesie Noire, Cult, Switchblade Symphony, Love is Colder
than Death... Bem são tantas que fica até difícil
citar todas, em mais uma prova do quanto o estilo é prolífico.
No
finalzinho da segunda metade da década de 1980, porém, o
clima começa a tornar-se inóspito para morcegões e
afiliados, e o estilo gótico começa a entrar em decadência,
significando o fim de muitos grupos que consagraram o gênero, deixando
orfãos e famintos de sangue muitos nosferatus, e fazendo as noites
enevoadas de Londres (e porque não as noites garoentas de São
Paulo) perder muito de seu charme.
Degeneração
da degeneração:
No
finalzinho dos anos 90 e começo de 2000, surgem bandas de heavy
metal que vêem no rock gótico matéria-prima para uma
reciclagem e renovação do estilo. Os adeptos do new-metal
como o Cradle of Filth (que se denomina black gothic romantic metal), ou
do sub gênero Doom tornam a fazer uma parte dos góticos sorrirem
de felicidade, e outra parte virar a cara de desprezo.
Resta
saber quem tem razão, pois só o tempo dirá, se este
renascimento do gótico (se é que ele chegou mesmo a morrer),
representará a sua volta e consagração, ou se eregirá
o seu definitivo epitáfio... ou talvez nenhuma das alternativas
anteriores. Contudo uma coisa é certa. Bela Lugosi's still waiting...
.
Pintura
Gótica
"Beleza é terror.
O que chamamos de belo nos faz tremer. A beleza é áspera
e se parece com um extermínio. Ainda assim, é tudo que se
quer." - Donna Tartt (A história Secreta)
"O horrível é
belo, o belo é horrível." - Shakespeare (Macbeth)
No
campo da pintura a influência da arte medieval especialmente do estilo
românico e gótico (ao contrário do que foi dito em
relação à arquitetura) praticamente não se
faz sentir.
A
presença da figura humana extremamente estilizada, o plano bidimensional
que caracteriza o estilo, tem muito pouco a ver com os elementos iconográficos
reverenciados atualmente pela tribo dark ou gótica. A exceção
talvez fique por conta das obras de Giotto, sendo este pintor um dos precursores
do rompimento com a tradição bizantina; ao dar um tratamento
tridimensional às suas obras.
Quanto
aos elementos simbólicos da arte medieval, de imaginário
fortemente místico, este sim traria alguma influência, principalmente
no que se refere ao rico bestiário medieval, ilustrado em especial
nas iluminuras que costumavam ornar livros e manuscritos da época
e também nos elementos decorativos de palácios e igrejas.
A
arte renascentista ao contrário traz uma grande contribuição,
presente principalmente nas obras de Hieronymus Bosch, Pieter Bruegel e
Dürer. Artistas de apurada técnica e imaginação
fértil. O flamengo Bosch demonstra isto muito bem, em sua obra:
O jardim das delícias, no triplo painel onde representam-se o paraíso
terrestre, o paraíso celestial e o inferno. Uma obra complexa povoada
de pequenas figuras e criaturas imaginárias. Bosch seria na concepção
de muitos estudiosos da arte, um surrealista antecipado.
Igualmente
há influência estética na Arte Barroca que combinava
movimentos energéticos, cores intensas e detalhes decorativos com
expressiva originalidade e liberdade. O imaginário barroco é
extremamente poderoso, expresso em; gestos, fundos sombreados e uso dramático
da luz e sombra. As obras apresentam muitas vezes um caráter sombrio,
pungente e dramático.
Destaca-se
neste estilo artistas como Caravaggio, que em suas obras (principalmente
as iniciais) celebrou personagens mundanas e sexualmente ambíguas,
além de representar figuras religiosas como simples mortais. Um
escândalo para a época.
Outro
destaque vai para Jan Vermeer, que possuia uma refinada técnica
em trabalhar efeitos de luz e figuras geométricas em seus quadros,
como o célebre A rendeira; que tanto excitou a imaginação
tresloucada de Dali. Não se pode ainda esquecer um mestre como Rembrandt,
que sabia como nenhum outro combinar dramáticos efeitos de luz com
sutis efeitos ilusórios, num quase abstracionismo.
Apesar
de todos estes estilos e artistas da pintura terem influenciado na estética
dos darks ou góticos, nenhuma desses escolas se compara em importância
ao Expressionismo, Surrealismo e Modernismo, todas as artes contestadoras
e revolucionárias.
Comecemos pelo Expressionismo,
a arte do instinto, com sua pintura dramática e subjetiva. É
um estilo explosivo, errático, que se fez presente também
na literatura, no teatro, na dança e no cinema.
Edvard
Munch e Van Gogh podem ser considerados artístas ícones do
Expresssionismo.
Van
Gogh é um artista fundamental do gênero, sua obra apresenta
uma explosão de cores intensas e puras, e a presença de formas
sinuosas que expressam a energia e a dramaticidade de uma alma atormentada.
O
norueguês Edvard Munch, considerado um dos pintores mais radicais
e talentosos de sua geração, demonstrou em obras como O Grito,
um trabalho inquietante onde a representação pictórica
sucumbe às fortes emoções, a tensão e a ansiedade
do desepero. Nesta obra em particular; é como se todo o cenário
em volta da personagem participasse da excitação aterradora
do grito, expressando toda a angústia envolvida na cena.
Outra
influência importante é Goya, em sua obra rica de representações
misógenas e diabólicas, onde aparecem velhas decrépitas
e ameaçadoras, além de feiticeiras que veneram o grande Bode
e preparam pratos abomináveis.
Quanto
ao Surrealismo, que acima de tudo foi um movimento revolucionário,
temos igualmente manifestações não só na pintura,
mas também na literatura e no cinema.
O
Surrealismo é uma forma de expressão, instintiva, irracional,
cuja arma principal era o escândalo. "Seu objetivo principal não
era criar um novo movimento pictórico, literário ou até
filosófico, mas sim fazer explodir a sociedade, mudar a vida" -
(Buñuel).
Entre
os artistas que mais se destacaram neste movimento na pintura estão:
Picasso e Dali.
Picasso
e Dali guardam uma certa semelhança pela fixação que
possuiam em relação a mulher (Picasso-Dora Marr, Dali-Gala).
Picasso
soube expressar como ninguém o delírio e a monstruosidade
da guerra. Em sua obra mais conhecida, Guernica aparecem rostos hediondos,
torturados e abjectos, que são na verdade os próprios rostos
da guerra e da desgraça provocada pelos nazistas, e eram eles mesmos
que atribuiam a obra do próprio Picasso e de outros artistas surrealistas
o título de: artistas degenerados.
Dali
foi um dos artistas mais delirantes de seu tempo, possuindo uma imaginação
fértil, obcessiva e irracional. Criador do método paranóico-crítico,
de um estilo e vida exibicionista, nem sua fase Avida Dollars foi capaz
de ofuscar sua obra. Poderia ainda citar outras obras, artistas e gêneros,
mas prefiro deixá-los com esta pequena amostra da influência
da pintura na estética dark.