A História do Olho
A História do Olho


Se existe um "filósofo do erotismo", trata-se do francês Georges Bataille (1897-1962). Ensaísta e escritor, ocupou grande parte da vida com temas considerados polémicos, nomeadamente com obras fundamentais como As Lágrimas de Eros e O Erotismo, que não podem deixar de ser lidas por quem se interessa pelo assunto.

Contudo, antes de escrevê-las, Bataille, que era ligado aos surrealistas, publicou alguns livros obscenos, como A História do Olho (1928), que narra a iniciação sexual de um jovem de 16 anos, sendo as descrições mais cruas misturadas com reflexões sobre sexo, morte e religião.

A Vénus das Peles
A Vénus das Peles

Leopold von Sacher-Masoch não é considerado um grande escritor da língua alemã, como Sade o foi da língua francesa. Mas, da mesma forma que o nome deste último autor estará para sempre ligado às fantasias sexuais do homem, o do primeiro está intimamente ligado ao termo masoquismo.

A obra mais famosa de Sacher-Masoch (1856-1895) é A Vênus das Peles (1870) conta a história de Severin von Kusiemski, fascinado por peles e auto-sofrimento, que consegue convencer uma bela mulher a maltratá-lo e submetê-lo sem dó.

As Onze Mil Varas

As Onze Mil Varas

Para Picasso, este livro era a obra-prima de seu amigo e poeta Guillaume Apollinaire (1880-1918). Há um certo exagero do pintor, já que Apollinaire nos deixou obras muito mais importantes na poesia do que na pornografia. Mas As Onze Mil Varas, publicado clandestinamente em 1907, é com certeza um dos pontos altos da literatura erótica.

Um erotismo "inumano", segundo Alexandrian, num "romance cheio de atrocidade" que "inspiraria um horrível mal-estar se Apollinaire não soubesse mantê-lo num grau de exagero poético que o sublimava, a ponto de fazer dele um alegre jogo do espírito". No livro, as peripécias sexuais do príncipe Mony Vibescu são contadas em todos os pormenores nojentos e selvagens.

 

O Decamerão, de Bocaccio

O Decamerão, de Bocaccio

A literatura de cada época é também seu retrato, e o obscurantismo da Idade Média enterrou com ele a cultura, especialmente aquela voltada para as atividades eróticas. Apenas no fim desse período vamos encontrar novas manifestações nesse gênero. Aqui registraremos uma obra-prima do erotismo: O Decamerão, de Giovanni Bocaccio.

Nas dez histórias, como indica o título, que compõem o livro todo tipo de estripulias sexuais são narradas. Pela obra, o autor tornou-se persona non grata para o clero, uma vez que muitos dos personagens de seu livro são padres e freiras que trepam desvairadamente.


Lisístrata - A Greve do Sexo
Lisístrata - A Greve do Sexo

Esta comédia do grego Aristófanes (cerca de 455 a C. - cerca de 375 a C.) é uma das mais deliciosas peças do teatro grego clássico. Lideradas por Lisístrata, as mulheres das cidades-Estado de Atenas, Esparta, Beócia e Corinto resolvem fazer uma greve de sexo contra os respectivos maridos, que há vinte anos travam uma guerra que parece não ter fim.

A linguagem maliciosa marca a comédia e, ao mesmo tempo alude ao sexo, questiona o poder masculino e defende a liberdade da mulher. Lisístrata tem tanto de insinuação erótica quanto de feminismo explícito.

Kama Sutra
Kama Sutra

O Kama Sutra foi escrito pelo hindu Vatsyayana, sobre o qual se sabe muito pouco, nem mesmo o período exacto em que viveu — talvez entre o século I e IV d.C.

É, de facto, uma das mais célebres obras sobre a arte de amar e foi escrito talvez com o intuito não de excitar a imaginação, mas sim ensinar os amantes a obterem o máximo de prazer, dentro das regras sociais e religiosas da sociedade em que foi escrito. Por isso, o autor enumera uma grande variedade de posturas sexuais, carinhos eróticos e formas de abordagem amorosa, descrevendo também as suas vantagens. Escrito com grande objectividade, é um monumento da literatura pela poesia e requinte de exposição.

Lolita
Lolita

O escritor de origem russa Vladimir Nabokov (1899-1977) é muito famoso devido à sua (também famosa) obra Lolita, que conta a história da obsessão sexual de um homem de meia idade por uma menina de doze anos — uma ninfeta, termo criado pelo próprio escritor.

Considerado escandaloso na época em que foi publicado, no final da década de 50, Lolita esbanja sensualidade e perversão, mas nunca cede à linguagem libertina nem pornográfica.

O Amante de Lady Chatterley

O Amante de Lady Chatterlay

A virada do século atenuou o moralismo das sociedades. Mesmo assim D. H. Lawrence, autor inglês com especial predileção pela abordagem das relações amorosas, sofreu censura por seu romance O Amante de Lady Chaterlay, que descrevia os furiosos encontros eróticos da esposa de um nobre paraplégico com seu jardineiro.

As décadas de vinte e trinta foram pródigas em autores eróticos, como Anais Nin e Henry Miller, por exemplo, que foram amantes. Miller escandalizou várias gerações com suas descrições despudoradas sobre o amor.

O Livro Negro do Amor, do Marquês de Sade
O Livro Negro do Amor, do Marquês de Sade

Bocaccio fez tanto sucesso em sua época que entrou para a História. Muitos autores seguiram seus passos e escreveram suas próprias coletâneas de histórias no gênero. Entre eles o Marquês de Sade, que publicou o seu Livro Negro do Amor, muito semelhante a O Decamerão.

Sade tornou-se um dos mais importantes autores de erotismo e sexo de todos os tempos, e seu nome virou sinônimo do erotismo bizzarro e violento. Ele passou a maior parte de sua vida na cadeia, justamente por seus hábitos estranhos, e lá, na Bastilha, a célebre prisão francesa, escreveu talvez o mais terrível livro erótico de todos os tempos: Os 120 Dias de Sodoma.